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Eleições 2026

“Não durmo um dia na Casa da Agronômica”: Ralf Zimmer promete palácio virar hospital

Primeiro sabatinado pelo Jornal Razão na campanha de 2026, o defensor público Ralf Zimmer (PRD) promete transformar a Casa da Agronômica em hospital, acabar com a Universidade Gratuita para pagar bônus a professores e dispensar licitação para tocar a BR-282 e o Morro dos Cavalos.

“Não durmo um dia na Casa da Agronômica”: Ralf Zimmer promete palácio virar hospital
Foto: Reprodução
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Primeiro candidato ao governo de Santa Catarina a ser sabatinado pelo Jornal Razão na série de entrevistas da campanha de 2026, o defensor público Ralf Zimmer (PRD, nº 25) disse a Kaiann Barentin que se arrepende do pedido de impeachment que afastou cautelarmente o então governador Carlos Moisés, prometeu transformar a Casa da Agronômica em hospital, anunciou o fim do programa Universidade Gratuita para bancar um bônus anual de cerca de R$ 28,4 mil por professor do ensino médio e afirmou que, se a União não apresentar em 30 dias projeto para a BR-282 e o Morro dos Cavalos, assume as obras com recursos próprios e dispensa de licitação: “boto o meu CPF, boto o meu pescoço a degola”.

QUEM É O CANDIDATO E O QUE MUDOU DESDE 2022

Nascido em Chapecó em 1979, com família paterna de Blumenau e materna do Oeste, Ralf Zimmer vive em Florianópolis, é defensor público de carreira, casado com Camila Zimmer, cientista e, segundo o candidato, primeira suplente da chapa ao Senado encabeçada por Jeferson Rocha (PRD, nº 250), e pai de dois filhos. Foi defensor público-geral do Estado, o primeiro de carreira no cargo, e disputa pela terceira vez uma eleição, sendo a segunda ao Palácio Santa Catarina.

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Questionado pelo entrevistador sobre os 3.828 votos obtidos em 2022, o equivalente a 0,10% dos válidos, e sobre o que mudou para que o resultado seja diferente, o candidato afirmou que a estrutura partidária hoje é outra. Segundo ele, na campanha anterior gastou energia com advogados para manter a candidatura de pé, diante de litígios internos no partido em Santa Catarina e depois em âmbito nacional. “Eu fiz com muita bílis aquela eleição, e política não deve ser feita dessa maneira”, disse, acrescentando que amadureceu, criou casca e montou uma equipe com mais segurança jurídica.

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Capa do vídeo do YouTube

Kaiann Barentin ponderou que, depois do processo de impeachment, colou no candidato a pecha de alguém que critica demais e fala demais, e perguntou se esse é o perfil dele ou se há de fato muita coisa errada no sistema político. Zimmer respondeu que aprendeu a criticar de forma mais objetiva e a não pessoalizar, mas sustentou que “tem muita coisa errada, tem muita coisa mal explicada” e que em Santa Catarina há assuntos que precisam ser tirados de debaixo do tapete.

A DENÚNCIA SOBRE A CELESC E A FORÇA-TAREFA CONTRA A IMPROBIDADE

Para exemplificar, o candidato citou uma ação do Ministério Público envolvendo a Celesc, ajuizada em 2014 contra três diretores da estatal de economia mista. Na versão apresentada por ele, a empresa contratou em 2009 um escritório para cobrar débitos vencidos por cerca de R$ 6 milhões, sem aditivo contratual, e teria pago 25 vezes o mesmo contrato, cerca de R$ 150 milhões à época e algo acima de R$ 300 milhões em valores atualizados, sem que a contratada recuperasse, segundo ele, um único real para os cofres públicos. O candidato fez questão de marcar o limite da fala: “não estou acusando, não estou pré-julgando ninguém”, e atribuiu os números ao que consta da denúncia do Ministério Público.

O que mais o incomoda, disse, é o tempo do processo: “12 anos de tramitação e não tem a primeira sentença de primeiro grau”. Daí a proposta que ele coloca entre os primeiros atos de governo: instalar já em 1º de janeiro uma força-tarefa com OAB, Defensoria Pública, Ministério Público e Judiciário catarinense para julgar em seis meses ações de improbidade paradas há mais de quatro anos. “Em quatro anos dá para fazer um ciclo de Copa do Mundo”, comparou. Para ele, quem não tem culpa deve ser absolvido e quem tem deve devolver ao erário: “lugar de vagabundo é na cadeia, devolvendo o dinheiro que roubou do contribuinte”.

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FIM DA UNIVERSIDADE GRATUITA PARA BANCAR BÔNUS A PROFESSOR

O primeiro ato de governo prometido é um projeto de lei à Assembleia Legislativa para encerrar o programa Universidade Gratuita. O candidato diz respeitar o programa e quem está nele, mas afirma que a prioridade constitucional do Estado é o ensino médio, cabendo ao município o fundamental e à União o ensino superior. Quem ficar sem bolsa, segundo ele, deve recorrer ao Fies, na Caixa Econômica.

A conta que apresenta é direta: os cerca de R$ 1,2 bilhão hoje destinados ao programa seriam revertidos aos professores do ensino médio, o que daria, pelos cálculos dele, aproximadamente R$ 28.400 por professor ao ano. O objetivo declarado é motivar o professor em sala de aula e, por consequência, reduzir a evasão escolar.

Zimmer diz ter criticado o programa desde a criação, sob o argumento de que a exigência de cinco anos de residência em Santa Catarina cairia por inconstitucionalidade. “Dito e feito, o Supremo já deu várias decisões”, afirmou, sustentando que hoje estudantes de fora do Estado exigem o benefício e o contribuinte catarinense paga a conta: “universidade gratuita, que não é gratuita”.

BR-282, MORRO DOS CAVALOS E A AMEAÇA DE DISPENSAR LICITAÇÃO

Na infraestrutura, o candidato promete notificar no primeiro mês de governo o presidente da República eleito e o Ministério dos Transportes para que apresentem em 30 dias o plano de duplicação da BR-282 e a solução para o Morro dos Cavalos, na BR-101. Não vindo projeto com organograma viável, diz que executa com recursos próprios e aciona a Procuradoria-Geral do Estado para cobrar a União judicialmente, inclusive abatendo eventuais dívidas estaduais. Ele reclama que Santa Catarina é o Estado que menos recebe proporcionalmente ao que envia a Brasília.

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O entrevistador contou que levou quatro horas para vir de Joinville, trajeto que já se fez em duas, e cobrou capacidade de execução, não discurso: “eu quero saber se o senhor tem condições de executar o que o senhor fala”. A resposta foi o histórico na Defensoria: eleito defensor-geral com 12 votos, “o menos votado na história de todas as defensorias do país”, prometeu 100% de reajuste, foi apelidado de “Ralf Louco” e diz ter conseguido 115% por projeto de lei de iniciativa privativa do cargo.

Sobre a execução das obras, foi taxativo: notificação em 30 dias, e se não andar, “dispenso licitação, boto o meu CPF, boto o meu pescoço a degola e preso se necessário for, mas eu vou fazer a obra”. Ele afirma que sai do governo em 2030 com o Morro dos Cavalos duplicado e pista dupla até São Miguel do Oeste. Sobre a Via Mar, disse não querer entrar no debate travado por João Rodrigues e Jorginho Mello: se o projeto estiver nos trilhos, usa, porque “não vou fazer terra arrasada”, mas defende que o foco não pode ser um único modal.

A terceira prioridade que ele acrescentou é a das enchentes no Vale do Itajaí. Com família de Blumenau e memória das cheias dos anos 1980, defende uma transposição parcial e um canal de escoamento do Itajaí-Açu, projeto que atribui ao ex-governador Konder Reis, de 1983, nunca executado. Segundo ele, os governos se limitam a barragem e desassoreamento, “enxugando o gelo”, enquanto Rio do Sul alaga para Blumenau não alagar. “O Brasil transpôs o São Francisco, que dá dez Itajaí-Açu”, comparou, dizendo que a obra é investimento, não custo.

FERROVIAS, LOGÍSTICA E LICITAÇÃO INTERNACIONAL

O candidato quer criar uma secretaria de logística para integrar modais e abrir licitação internacional para ferrovias, com concessões de até 99 anos, prazo que diz ser permitido em lei. “Quero saber se é chinês, australiano, alemão, francês”, afirmou, defendendo que empresas estrangeiras venham apresentar projeto e concorrer.

Ele atribui o atraso ferroviário brasileiro ao lobby da indústria do petróleo e automobilística nos anos 40, 50 e 60, e afirma que a malha nacional hoje é pior que a da África Subsaariana. Reconhece, porém, que a prioridade orçamentária imediata é rodovia, e que a ferrovia seria uma frente paralela de médio e longo prazo, com capital privado. “Tem que começar a botar o preguinho lá no chão”, disse.

O ARREPENDIMENTO DO IMPEACHMENT DE CARLOS MOISÉS

Perguntado diretamente se se arrepende do pedido que afastou cautelarmente Carlos Moisés, o primeiro impeachment da história do Brasil a produzir esse efeito e que depois foi vencido no mérito pelo então governador, Zimmer respondeu que sim, profundamente, e disse que até a família dele critica essa posição. O arrependimento, ressalvou, não é pessoal nem contra a figura de Moisés, hoje candidato a deputado federal (União, nº 4411).

Na leitura dele, o problema foi o desdobramento: Santa Catarina havia optado por tirar da gestão um grupo político que teria usado o pedido de impeachment para voltar ao poder. “Aquela turma se aproveitou, se lambuzou, deitou e rolou nas minhas costas”, afirmou, sustentando que houve um acordão e um loteamento do governo. “Se fosse hoje eu não teria feito”, concluiu.

Ele também criticou a mudança na estrutura do governo Jorginho Mello que levou a ouvidoria da controladoria-geral para o gabinete. Vê aí concentração de poder, mas relativiza o peso do órgão: a ouvidoria foi criada no próprio governo Carlos Moisés e nem por isso o impediu de enfrentar dois processos de impeachment. Para o candidato, denúncia de governo para governo “é reclamar do pai para o pai”. O controle real, diz, está no Ministério Público e no Tribunal de Contas, que precisam ser fortalecidos.

SANEAMENTO, CASAN E A OPERAÇÃO MENSAGEIRO

Zimmer assumiu compromisso público com os servidores concursados das autarquias: “não vou privatizar absolutamente nada”. A saída, na visão dele, é transparência. Quer instituir relatório trimestral publicado nas páginas dos órgãos, além de enviado ao Tribunal de Contas, modelo que diz ter implantado na Defensoria Pública, e remanejar atribuições para que ninguém fique sobrecarregado nem “mamando”.

Sobre a Casan, afirmou que o problema histórico é ter sido usada como cabide de emprego para agentes políticos sem capacidade técnica. Prometeu que a presidência sairá dos quadros internos da companhia: “não sei nem quem está hoje, também pouco me importa”. Reconhece que o marco legal do saneamento permite ao município licitar e contratar empresa privada, e diz que nesse caso a Casan entrega as chaves sem resistência, desde que o processo seja legal.

O tom endureceu ao tratar dos desvios no setor, em referência à Operação Mensageiro. O candidato falou em “uma série de prefeitos sem-vergonha, vagabundo, criminoso, que usou do saneamento para roubar você, contribuinte de Santa Catarina”. A acusação é genérica, sem citar nomes, e reflete a avaliação dele sobre o caso, não conclusão judicial. Para ele, os responsáveis devem devolver cada centavo com juros e correção.

CORRUPÇÃO, MORAL E O FURO DO JORNAL RAZÃO

Provocado sobre o alto número de prefeitos presos no Estado, com o entrevistador citando algo próximo de 10% das prefeituras, e questionado se isso indica muitos políticos corruptos ou um Ministério Público muito atuante, Zimmer respondeu: “os dois”. E completou que corrupção não tem partido, ideologia nem auréola: “o sujeito diz, ah, eu sou cristão, pela família e pelos bons costumes; para fins de corrupção, não quer dizer nada”. Fez ainda a ponderação de que seu partido está à direita e de que Santa Catarina não elege a esquerda há tempos.

O entrevistador relatou um furo de reportagem da semana anterior, sobre um vereador que deixou a campanha na capital com uma assessora e foi a um motel, e observou que os leitores apontaram tratar-se de político do discurso “Deus, Pátria, Família, Liberdade”. Questionado se há uma crise moral no país, o candidato falou em crise do ser humano que se esconde atrás de slogan e ideologia. “A pessoa é verdadeiramente o que ela é quando nós não estamos a enxergando; aí é onde entra o caráter”, disse.

SAÚDE: SEM PROMESSA DE FILA ZERO E O PALÁCIO VIRANDO HOSPITAL

Sobre saúde, o entrevistador citou esperas de até 900 dias por exame na regulação estadual e perguntou qual a receita para zerar filas. A resposta foi uma recusa: “se eu disser que eu vou zerar, eu seria um mentiroso”. O candidato lembrou que os principais concorrentes já passaram pelo governo e nenhum zerou. Defende manter mutirões, o Estado cobrindo folhas de grandes hospitais regionais para preservar atendimento fora da capital, e admite o limite do mercado: um cirurgião altamente especializado mora onde quiser, e “como diria Mané Garrincha, não combinei com os russos”. Propõe também substituir a “ambulância-terapia” pelo avião e helicóptero.

É nesse ponto que retoma a proposta que diz defender desde 2022 e que, segundo ele, foi depois adotada por adversários. Marcelo Brigadeiro (Missão, nº 14) teria incluído a ideia no programa e o teria acusado de cópia, ao que respondeu que a bandeira é antiga. Zimmer quer mandar projeto de lei à Assembleia para desafetar a Casa da Agronômica e transformá-la em hospital, aproveitando o heliponto e a proximidade com outra estrutura de saúde, preservando parte do imóvel como museu.

“Numa república não cabe palácio”, argumentou, dizendo que governador é servidor público com atribuições limitadas, que deve despachar no centro administrativo e pagar aluguel se não tiver dinheiro para comprar imóvel. Ele afirma que continuaria morando onde mora, em Florianópolis, com viaturas na porta. Não abre mão da segurança, ressalva, porque tem dois filhos para criar.

CONTRADITÓRIO: BANALIZAR O CARGO?

O entrevistador ponderou que abrir mão de palácio, salário e símbolos pode levar à banalização da política e do próprio cargo, num país onde, desde os movimentos que derrubaram Dilma Rousseff, ficou difícil ser político. Kaiann Barentin chegou a dizer que entrevista candidatos com respeito imenso porque não teria essa coragem.

Zimmer discordou. Para ele, o simbolismo do palácio é um resquício imperial que coloca a autoridade como algo incontestável, e disse ver esse fenômeno hoje também no Supremo Tribunal Federal, ao mencionar decisões que, na avaliação dele, atingem a imprensa e suas fontes: “o problema agora não é a mensagem, é o carteiro”. Curiosamente, admitiu simpatia pelo Império e por Dom Pedro II, dizendo que “o primeiro golpe que se deu nesse país foi a república”, mas concluiu que, escolhida a república, a coerência exige abrir mão do palácio.

Ainda no tema da coerência, contou ter aceitado um desafio de Marcelo Brigadeiro: rasgar os planos de saúde da família e usar a rede pública se eleito. Segundo o candidato, ele próprio assumiu o compromisso e João Rodrigues (PSD, nº 55) não.

SEGURANÇA PÚBLICA E O “FOSSO SALARIAL” NA PONTA

Sobre segurança, o candidato disse que Santa Catarina “está dando banho no Brasil” e que não fará terra arrasada. Elogiou Polícia Militar, Polícia Civil e o Gaeco, e defendeu a presença da PM nas escolas. Lembrou que a questão é transversal e passa pela educação: no caso do feminicídio, “a mulher já está morta; o que adianta a polícia prender?”. Prender é necessário, ressalvou, mas insuficiente.

O problema que ele aponta é salarial. Segundo o candidato, o coronel que vai para a reserva se aposenta no teto constitucional, com salário de desembargador, enquanto o praça, o policial civil e o escrivão da ponta ficam muito distantes dessa valorização, um fosso que diz existir em todo o serviço público estadual. Cita como credencial o plano de cargos e salários que aprovou na Defensoria em um ano e meio de gestão, vetado por Raimundo Colombo no último dia de governo. O veto foi derrubado na Alesc e mantido contra tentativas de reversão na Justiça e no Tribunal de Contas.

A LEITURA DO JOGO: PESQUISAS, FRAGMENTAÇÃO E “POLÍTICA NO CPF”

Diante dos números da pesquisa AQuest/NCC citados na entrevista, que apontam Jorginho Mello (PL, nº 22) com 50%, João Rodrigues com 17%, Gelson Merísio (PSB, nº 40) com 4% e ele próprio perto de 1%, Zimmer disse acreditar na maioria dos levantamentos e que “o retrato realmente é esse”. Sua explicação começa pela fragmentação: “a política hoje é feita no CPF”, com trocas de lealdade que ignoram o partido.

Ele deu exemplos concretos dessa leitura. Contou que João Rodrigues lhe mandou mensagem após a pesquisa dizendo que precisava mudar de estratégia, e que respondeu que o adversário também estava parado. Relatou que, em Criciúma, o prefeito Vagner Espíndola Rodrigues (PSD), o “Vaguinho”, que João ajudou a eleger, não foi à rádio nem ao lançamento da campanha do PSD. E lembrou que, num debate em Tubarão, o próprio João Rodrigues afirmou que Jerry Comper, do MDB, não estava com ele, mas com o governo Jorginho.

Zimmer também aponta um terço do eleitorado fora do jogo: cerca de 29% de abstenção na última eleição, mais brancos e nulos. “Um terço da população está cagando para a política”, disse, atribuindo parte disso às fake news sobre as urnas. Se está tudo adulterado, por que votar? O restante, na leitura dele, cristalizou-se entre antibolsonaristas e antilulistas, sobrando pouquíssimo eleitor em disputa real de propostas.

AVALIAÇÃO DOS ADVERSÁRIOS E O DESAFIO A JOÃO RODRIGUES

Convidado a fazer uma avaliação sincera dos dois polos, o candidato disse considerar Jorginho Mello e João Rodrigues “dois grandes gestores”, com exageros de parte a parte. Lembrou que ambos disputaram dez eleições e venceram as dez. Sobre Jorginho, reconheceu altos índices de aprovação, mas disse que tomaria decisões diferentes, a começar pela Universidade Gratuita. Sobre João Rodrigues, afirmou que ele exagerou ao dizer, em debate, que havia acabado com moradores de rua em Chapecó, e que recebeu vídeos contestando a afirmação.

As críticas mais duras a João Rodrigues, de quem se diz amigo e a quem chama de padrinho de casamento, foram duas. A primeira é tributária: segundo Zimmer, a procuradoria do município brigou até o último recurso para manter um aumento de IPTU herdado da gestão anterior, quando poderia ter desistido dos recursos ou aprovado lei em sentido contrário. A segunda envolve repasses de verbas municipais a rádios ligadas às filhas do adversário, incluindo emissora em outro Estado e um repasse de R$ 16 mil, em duas parcelas de R$ 8 mil, para programa de motonáutica no Oeste. “Cadê o interesse público disso?”, questionou. Ele mesmo fez a ressalva de que não emite juízo de legalidade ou moralidade e disse ter acompanhado pela imprensa a notícia de um eventual procedimento no Ministério Público sobre o caso, versão do candidato e não fato apurado.

O contraponto veio do próprio João Rodrigues, segundo o relato: no debate, teria cobrado que Zimmer recebe salário enquanto é candidato. O defensor respondeu que a lei eleitoral o obriga a se afastar da Defensoria e lhe assegura a remuneração. E lançou um desafio público: “pega cada centavo que foi para a rádio das suas filhas, devolva para o município de Chapecó e me mande o comprovante, que eu vou pegar o mesmo valor e vou dar ao Lar Recanto do Carinho”, casa de acolhimento institucional de Florianópolis.

SENADO, O “COLO DA MÃE NA TIJUCA” E O SEGUNDO TURNO

Na disputa ao Senado, Zimmer defende a chapa do próprio grupo, mas fez uma leitura do cenário: vê Esperidião Amin (PP, nº 111) em alta, recebendo votos naturais de esquerda, centro e direita, e avalia que a briga real será pela segunda vaga, com Décio Lima (PT, nº 133) e Jeferson Rocha correndo por fora. A crítica mais dura foi ao candidato Carlos Bolsonaro (PL, nº 222), por rejeição ligada ao fato de não ser catarinense.

O gancho foi um post noticiado pelo Jornal Razão: uma foto no colo da mãe com localização marcada na Tijuca, no Rio de Janeiro. “Tinha que estar gravando esse vídeo em Chapecó, em Xanxerê, em Blumenau”, disse. Em tom exaltado, afirmou que, se o eleitor votar em quem “mal bota o pé aqui”, depois não deve reclamar se o Estado virar “um Rio de Janeiro, cinco ex-governadores presos”. Ele também atribuiu ao centrão a responsabilidade pelo quadro: “vocês quiseram montar no lombo do Bolsonaro para pegar onda, ficaram lambendo em demasia”, e agora, perto da eleição, “querem desfritar o ovo aos 48 segundos do tempo”.

Sobre estratégia, disse que não vê quem erra mais, e sim que é muito difícil fazer oposição ao Executivo no Brasil, contra a máquina pública. Lembrou que Carlos Moisés venceu “no lombo do Bolsonaro” em 2018, num fenômeno que classifica como raro, mas não se reelegeu por falta de traquejo político. Quem está acertando eleitoralmente, segundo ele, num acerto que diz repudiar, são os favoritos que esvaziam debates. E o erro do centro é não se admitir centro.

Questionado sobre para onde vai em um eventual segundo turno entre Jorginho e João, Zimmer disse que a decisão não é dele: cabe à direção do PRD e à federação com o Solidariedade, e ele é apenas um voto na diretoria. Encerrou pedindo ao eleitor que pesquise biografias e currículos antes de votar, porque “nós estamos pedindo emprego para você”, e admitiu que muito provavelmente não vencerá, mas quer deixar os projetos: se pudesse trocar 20% dos votos e um segundo turno pela garantia de que as obras do Itajaí-Açu e do Morro dos Cavalos saiam com quem vencer, “eu renunciava agora”.

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