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Eleições 2026

“Até dezembro para meter o pé do Brasil”: Flávio Bolsonaro dá prazo às facções e promete “guerra” se eleito

No lançamento da campanha de Douglas Ruas ao governo fluminense, o candidato do PL deu prazo aos "narcoterroristas", prometeu castração química, oito anos de cadeia para ladrão de celular.

Flavio Bolsonaro discursa com microfone em cima do palco durante evento de campanha em ginasio lotado
Foto: Reprodução
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O Maracanãzinho estava cheio, o mesmo ginásio da Zona Norte do Rio onde o PL confirmou Jair Bolsonaro candidato à reeleição em 2022. Na manhã deste sábado (22), quem subiu ao palco foi o filho, e o recado veio com data marcada: os “narcoterroristas” têm até dezembro para “meter o pé” do Brasil, disse Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Quem ficar, avisou, enfrenta guerra.

“O bandido vai ser tirado de circulação, em pé ou deitado. Porque quem tem que andar sem medo na rua somos nós, que as ruas são nossas”, declarou o senador, numa provável referência à morte de criminosos em confronto. O ato marcou o lançamento da campanha de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio de Janeiro. Deputado estadual, Ruas preside a Assembleia Legislativa fluminense desde abril e foi secretário estadual na gestão de Cláudio Castro.

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Pena longa e trabalho na cadeia

Segurança pública ocupou o coração do discurso, e o candidato não economizou nos números. Prometeu elevar as penas de crimes que a população sente no dia a dia: “Ladrão de celular vai começar com oito anos de cadeia”. Segundo ele, o condenado terá de trabalhar durante o cumprimento da pena para custear a própria estadia no sistema prisional e indenizar a vítima do crime.

A lista de endurecimento seguiu. Flávio defendeu castração química para estupradores e para quem abusa de mulheres e crianças, afirmou que “espancador de mulher vai ser preso imediatamente” e reafirmou a intenção de reduzir a maioridade penal para 14 anos nos casos de estupro. Também prometeu tecnologia para monitorar e proteger mulheres sob medidas protetivas, além de ações contra o aliciamento de adolescentes pelo tráfico.

O plano de governo registrado pela candidatura vai na mesma direção e inclui, entre outros pontos, o fim da progressão de pena. É a aposta declarada do PL para o tema que lidera as pesquisas de preocupação do eleitor.

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“Guerra contra os narcoterroristas”

Sobre o crime organizado, Flávio usou o vocabulário que virou marca da campanha. Disse que um eventual governo seu vai “declarar guerra contra os narcoterroristas” e que não pretende “baixar a cabeça para bandido”. O enquadramento não é retórico apenas: o candidato já defendeu classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas, medida que os Estados Unidos adotaram em relação às duas facções e que está em vigor desde 5 de junho deste ano.

Foi justamente essa classificação que o Palácio do Planalto rejeitou. Lula reagiu à decisão americana afirmando que o enfrentamento às facções é atribuição exclusiva do Estado brasileiro e que a medida abre espaço para ingerência externa.

Bolsa Família, escola técnica e “Minha Primeira Empresa”

Fora da segurança, Flávio apresentou o pacote econômico e social. Afirmou que pretende manter o Bolsa Família, mas atrelado a políticas de qualificação profissional. Citou a expansão de escolas técnicas e profissionalizantes, com empresas atuando dentro das instituições de ensino, e o programa “Minha Primeira Empresa”, voltado à entrada de jovens no mercado de trabalho e ao empreendedorismo.

Ao falar de educação, mirou o desempenho escolar. “Não vou mais aceitar que minhas filhas e os seus filhos concluam o ensino fundamental e o ensino médio e não saibam fazer uma conta simples de matemática, não saibam interpretar um texto”, disse.

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O recado ao Senado

O trecho mais direto do discurso veio quando o candidato listou o que dependerá do Congresso. Flávio afirmou que precisará do apoio do Senado para aprovar a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de estupro, para uma “anistia geral dos acusados de 8 de janeiro” e para “libertar Jair Messias Bolsonaro”. O pai, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, está fora da disputa eleitoral e não participou do ato.

O senador também revelou ter sido alvo de ameaças de morte. “Estou aqui para colocar o meu peito na frente do povo brasileiro”, afirmou.

Dois palanques, uma cidade

A poucos quilômetros dali, na Zona Oeste, o presidente Lula (PT) realizava no mesmo sábado seu primeiro comício da campanha, no Estádio de Moça Bonita, em Bangu, ao lado de Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo fluminense. Os dois principais nomes da disputa presidencial escolheram a mesma cidade no mesmo dia e o mesmo tema, com receitas opostas: Lula pediu quatro anos para retomar os territórios dominados pelo crime; Flávio deu prazo e prometeu guerra.

A coincidência não é acaso. São Paulo, Minas Gerais e Rio somam 63,3 milhões de eleitores, cerca de 40% do eleitorado nacional, e é nos três estados que as pesquisas apontam empate técnico entre os dois. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

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