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Eleições 2026

Preso na Lava Jato: Flávio Bolsonaro pede votos e declara apoio a Eduardo Cunha

Em vídeo dirigido ao eleitorado mineiro, o senador do PL pediu voto para o ex-presidente da Câmara, cassado e preso na Lava Jato. Cunha retribuiu o apoio e afirmou que o Republicanos está neutro.

Preso na Lava Jato: Flávio Bolsonaro pede votos e declara apoio a Eduardo Cunha
Foto: Reprodução
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) gravou um vídeo ao lado do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos) dirigido diretamente ao eleitorado mineiro e declarou apoio à candidatura do ex-presidente da Câmara a deputado federal por Minas Gerais. No mesmo vídeo, Cunha retribuiu e anunciou que apoia o senador na disputa nacional, mesmo com o partido dele em posição neutra. É o terceiro gesto público de aproximação entre os dois em menos de três meses.

“Meus amigos de Minas Gerais, estou aqui com uma pessoa que tem um papel importante na história do nosso Brasil”, diz Flávio no vídeo. O senador atribui a Cunha o desfecho do governo Dilma Rousseff: “Foi aquele que abriu os olhos da população brasileira e derrubou a Dilma, talvez a pior presidente que esse país tenha tido na sua história e que, graças a Deus, o Brasil reagiu a tempo. O Eduardo é candidato a deputado federal lá em Minas Gerais.”

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Cunha responde marcando a distância entre a posição dele e a da legenda. “Obrigado, Flávio. Aqui a gente está nesse propósito, esse propósito que a gente já enfrentou o PT. Eu estou apoiando o Flávio Bolsonaro. Meu partido republicano está neutro, mas eu estou apoiando Flávio Bolsonaro em Minas Gerais e no Brasil”, afirma o ex-deputado.

ASSISTA AO VÍDEO

O episódio que Flávio credita ao aliado é a admissão do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, acolhido por Cunha em dezembro de 2015, quando ele presidia a Câmara dos Deputados. Nove meses depois, em setembro de 2016, o próprio Cunha foi cassado pelos deputados que havia liderado, por quebra de decoro parlamentar. Em outubro daquele ano, um mês após perder o mandato, foi preso preventivamente pela Polícia Federal por decisão do então juiz Sergio Moro, hoje candidato pelo PL, o mesmo partido de Flávio Bolsonaro.

Cunha chegou a ser condenado a mais de quinze anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, em processo da Lava Jato que envolveu conta mantida no exterior. Ficou cerca de três anos em regime fechado, passou à prisão domiciliar em 2020 durante a pandemia e foi solto em 2021. Responde a processos em liberdade e teve parte das condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal.

A reconstrução política começou pelo endereço. Cunha mudou-se para Belo Horizonte, transferiu o domicílio eleitoral no fim de 2025 e passou a operar em Minas com o mesmo método que o elegeu no Rio de Janeiro: rádio, púlpito e agenda com lideranças. “Mudei de residência, vida profissional, era natural que mudasse minha vida política”, disse à revista Veja em janeiro. Ele tem feito entradas frequentes em programas das próprias emissoras e investe em negócios locais, incluindo futebol de segunda divisão no estado.

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A troca de estado carrega um cálculo eleitoral. No Rio, Cunha disputaria voto com a filha, a deputada federal Dani Cunha (União Brasil-RJ), que buscará a reeleição à Câmara. Em Minas, os dois nomes não se enfrentam nas urnas e a família amplia a base sem canibalizar votos.

O discurso também mudou de embalagem. Na virada do ano, Cunha desejou “feliz 2026” aos seguidores com um versículo do capítulo 43 do Livro de Isaías: “Esqueçam o que se foi; não vivam no passado. Vejam, estou fazendo uma coisa nova!” A plataforma atual combina pregação evangélica, pauta conservadora de costumes, com ênfase no discurso contra o aborto, e antipetismo.

Mesmo sem mandato há quase dez anos, o ex-deputado manteve trânsito em Brasília. Em novembro, direcionou uma emenda de R$ 1,05 milhão para João Pinheiro, município de 47 mil habitantes no noroeste mineiro. A verba foi carimbada oficialmente pelo líder do Republicanos na Câmara, Gilberto Abramo, mas foi a Cunha que o prefeito Gláucon Cardoso (Novo) agradeceu em vídeo publicado no Instagram. Uma emenda à Constituição apresentada por ele em 2012, que estabelece o início da vida na concepção e na prática inviabilizaria o aborto legal, foi ressuscitada e aprovada na Comissão de Constituição e Justiça no fim de 2024, com a influência da filha, e aguarda votação em plenário. Dani Cunha também aprovou projeto para limitar inelegibilidades a oito anos, iniciativa que poderia beneficiar o pai, mas o trecho foi vetado pelo presidente Lula.

A aliança com o clã Bolsonaro foi construída em etapas. Em 8 de junho, em entrevista ao programa Contexto Metrópoles, Cunha afirmou que apoiaria uma eventual candidatura de Flávio à Presidência da República, com uma ressalva: o apoio dependeria apenas de o partido ao qual estivesse filiado não lançar candidatura própria. Fora essa hipótese, disse não ter dúvida de que estaria ao lado do senador. Nas redes sociais, escreveu que Flávio havia assumido a missão de liderar o campo conservador em 2026. Naquela semana, os dois já haviam se encontrado em Belo Horizonte, em entrevista concedida pelo senador a uma emissora de rádio ligada ao ex-deputado.

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O segundo encontro foi religioso. Em 9 de agosto, Dia dos Pais, Flávio apareceu ao lado de Cunha em culto do pastor Valdemiro Santiago e se emocionou durante a oração ao falar do pai, de quem está impedido de se aproximar até o fim das eleições. Na ocasião, o senador divulgou uma carta escrita por Jair Bolsonaro. O vídeo gravado agora fecha o ciclo e transforma a proximidade em compromisso eleitoral explícito nos dois sentidos: Flávio pede voto para Cunha em Minas, Cunha pede voto para Flávio no país.

A aproximação cobrou preço imediato nas redes sociais. Publicações de perfis de direita e de opositores questionaram a coerência entre o discurso de combate à corrupção e o palanque dividido com um ex-parlamentar cassado, preso e condenado na Lava Jato, e o nome de Cunha voltou a ser associado ao fisiologismo e à política de balcão que o campo conservador diz combater. Enquanto isso, o Republicanos mantém a neutralidade declarada por Cunha no vídeo, e a candidatura do ex-deputado em Minas Gerais ainda depende de convenção partidária e do registro na Justiça Eleitoral, etapa em que a situação jurídica dele voltará a ser examinada.

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