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Deputado arranca cartaz de esquerdistas em protesto contra escola cívico-militar em SC

O parlamentar do PL puxou o cartaz das mãos de manifestantes em frente à EEB Nossa Senhora da Conceição, no Roçado, em São José, e a Polícia Militar precisou separar os grupos. Professores da escola divulgaram outra versão do tumulto registrado na sexta-feira (21).

Deputado arranca cartaz de esquerdistas em protesto contra escola cívico-militar em SC
Foto: Reprodução
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O deputado estadual Alex Brasil (PL) arrancou um cartaz das mãos de manifestantes durante o protesto contra o modelo cívico-militar realizado em frente à Escola de Educação Básica Nossa Senhora da Conceição, no bairro Roçado, em São José, na Grande Florianópolis. O gesto foi o estopim do momento mais tenso da manhã e está registrado nas imagens que circulam nas redes sociais.

Nos vídeos, o parlamentar aparece puxando uma bandeira vermelha presa ao muro da escola, enquanto uma manifestante tenta segurar o tecido pelo lado de cima. Um policial militar precisou se colocar entre os dois grupos, que discutiam aos gritos na calçada. Estudantes e apoiadores erguiam faixas contra a implantação do modelo na unidade e, do outro lado, moradores e defensores do programa respondiam às palavras de ordem.

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Políticos de esquerda que acompanhavam o ato acusaram o campo conservador de tentar transformar a escola em quartel e afirmaram que a mudança foi imposta sem debate real com estudantes, professores e conselho escolar. Do lado oposto, apoiadores do modelo diziam que o processo já havia sido decidido pela comunidade escolar e classificaram o protesto como militância partidária dentro da escola.

ASSISTA AO VÍDEO

Capa do vídeo do YouTube

O ato aconteceu na esteira do episódio da última sexta-feira (21), quando estudantes levaram um abaixo-assinado contrário ao modelo à unidade e denunciaram, em vídeo, que teriam sido reunidos em um dos blocos e impedidos de sair. A gravação foi amplificada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte-SC), que fala em repressão a quem se manifestou contra o formato.

Também presente na disputa, o deputado estadual Jessé Lopes (PL), que atuou pela adesão da escola ao programa, gravou um vídeo em tom duro para dizer que a implantação está mantida. “Vai ter coronel na escola Nossa Senhora da Conceição, sim, em São José”, afirmou. Ele chamou os manifestantes de “baderneiros” e disse que o abaixo-assinado não tem validade, porque, segundo ele, todas as etapas legais já foram cumpridas.

A outra versão

Dois professores da própria escola gravaram um vídeo para apresentar uma versão diferente do episódio de sexta. Eles afirmam que a unidade realizava uma feira de ciências na quinta (20) e na sexta (21), com cronograma de visitação entre as turmas, e que o abaixo-assinado passou a circular justamente durante as apresentações. “Nós não somos contra abaixo-assinado. Só que nós entendemos que existe o tempo adequado, o local adequado e o horário adequado para que esse documento passe”, disse uma das professoras.

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Segundo o relato, o professor que coordenava o projeto percorria as salas para acompanhar os trabalhos quando encontrou o documento sobre uma mesa e o recolheu. Os dois negam a versão de que ele teria invadido a sala ou destruído o abaixo-assinado.

Ele não entrou, não invadiu a sala da professora, como tem sido relatado. Ele não tomou o abaixo-assinado da mão de ninguém, ele não rasgou o abaixo-assinado, tanto é que o documento está ali.

Os professores afirmam ainda que, ao chegar à sala dos professores, o coordenador foi hostilizado por colegas e cercado por um grupo de alunos que teria sido autorizado a entrar no ambiente por uma servidora. “Ele foi humilhado. Foi uma situação muito deplorável. Desacatou-se um funcionário público no exercício da função dele”, afirmou a professora.

Sobre o ponto central da denúncia, o portão fechado, os dois sustentam que a cena foi mostrada pela metade. Eles afirmam que a escola tem duas entradas e que apenas um dos portões estava fechado, por rotina de proteção no horário do recreio das turmas menores. “O interessante é que lá tem dois portões. Mostraram um portão talvez fechado, o outro não estava, e não mostraram o outro portão”, disse. Os professores também negam qualquer ação da Polícia Militar no episódio: “Os policiais em nenhum momento agrediram esses alunos. Os policiais em nenhum momento fecharam esse portão.”

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A acusação mais grave feita pelos dois, porém, é outra. Eles afirmam que há adultos ligados ao ambiente escolar estimulando estudantes menores de idade a participar de manifestações sem o conhecimento das famílias. “Eles estão aliciando menores de idade para uma manifestação sem anuência das famílias”, afirmou a professora, que também criticou a divulgação de imagens dos alunos: “Profissionais da educação filmando menores de idade e postando o vídeo desses menores sem nenhum filtro.” O apelo final foi dirigido aos pais: “Acompanhem os seus filhos e orientem os seus filhos para que eles não sejam usados como massa de manobra.”

O que diz a Secretaria

A Secretaria de Estado da Educação (SED), por meio da Coordenadoria Regional de Educação de Florianópolis, informou que tomou conhecimento do caso e acompanha a situação. Conforme a pasta, houve um tumulto envolvendo estudantes durante o intervalo entre as aulas e, ao término do recreio, a unidade precisou reorganizar o ambiente e orientar os alunos a retornarem às atividades pedagógicas. Nenhuma das duas versões foi confirmada de forma independente até o momento.

Entenda o caso

A EEB Nossa Senhora da Conceição aderiu ao programa estadual de escolas cívico-militares após consulta à comunidade escolar, etapa exigida pelo modelo. Em junho, a regional de São José do Sinte-SC protocolou representação na 4ª Promotoria de Justiça do Ministério Público, classificando o processo como antidemocrático e defendendo que o lugar de policiais e militares é fora das escolas. Na ocasião, Alex Brasil respondeu ao sindicato em vídeo e pediu que o MP respeitasse a decisão dos pais e dos alunos.

Nas escolas cívico-militares, os militares não assumem sala de aula: a gestão pedagógica segue com a Secretaria da Educação e com os professores da unidade, e a atuação dos policiais se concentra em organização escolar, mediação de conflitos e disciplina. A representação do Sinte-SC segue no Ministério Público, e o modelo continua em funcionamento no Roçado.

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