O deputado estadual Alex Brasil (PL) gravou um vídeo em frente à Escola de Educação Básica Nossa Senhora da Conceição, no bairro Roçado, em São José, na Grande Florianópolis, para dizer que o modelo cívico-militar não será revertido na unidade e que a intenção é levar o programa a toda a rede estadual. A gravação foi feita no mesmo dia do ato organizado por sindicalistas e políticos de esquerda contra a implantação.
O recado do parlamentar mira o ponto que move a disputa: a possibilidade de o processo ser desfeito por pressão externa depois de concluído. “Nós não recuaremos um milímetro em relação ao que nós estamos propondo para Santa Catarina”, afirmou. Segundo ele, a ida até o local teve o objetivo de dar respaldo às famílias que apoiam a mudança e que estavam no meio do tumulto.
Alex Brasil não tratou o caso como episódio isolado da unidade do Roçado. Ele anunciou que quer ampliar o programa para outras escolas da rede estadual e transformar o formato em padrão na educação pública catarinense.
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Você sabe que esse colégio aqui foi uma luta para a gente conseguir transformar ele em escola cívico-militar. Mas a nossa luta nunca tem fim. Nós vamos avançar com a escola cívico-militar em todo o estado de Santa Catarina.
O deputado lembrou que a adesão da escola passou por consulta à comunidade escolar, etapa exigida pelo programa estadual, e disse que o resultado foi uma derrota clara para a entidade sindical que hoje contesta o formato. “Só que aqui o sindicato perdeu, perdeu e perdeu feio. A grande maioria dos pais e alunos querem a escola cívico-militar implantada”, declarou.
Para o parlamentar, o que veio depois da votação foi uma tentativa de anular pela via institucional aquilo que não se conseguiu ganhar no voto da comunidade. “Depois da implantação, eles estão fazendo de tudo para que o Ministério Público, para que outros órgãos do Estado se envolvam e tentem reverter o processo de escola cívico-militar”, disse.
Sobre o ato realizado em frente à escola, Alex Brasil usou o tom mais duro da fala e afirmou que a mobilização atingiu quem menos tem a ver com a disputa política. “Hoje eles vieram aqui com parte da sua turma do mal fazer baderna, intimidar pais, intimidar alunos, fazer com que as crianças entrassem chorando aqui com medo do que está acontecendo na frente do colégio”, afirmou.
Ele nomeou os partidos que enxerga por trás da mobilização e ligou o comportamento à derrota na consulta. “Então essa desgraça do PT, do PSOL e toda turma de esquerda, quando eles perdem, e eles perdem democraticamente, fazem tudo da forma da agressão, da intimidação”, disse.
Na avaliação do deputado, a resistência ao programa não é sobre método pedagógico, e sim sobre o que o modelo impõe na rotina da escola. “O que eles não querem é justamente o que nós conseguimos trazer para cá: ordem, disciplina, regramento. Isso a esquerda não quer”, afirmou.
Alex Brasil foi além e disse enxergar no protesto uma finalidade que ultrapassa o portão da unidade. “A esquerda quer formar esse tipo de militância que vocês estão vendo aqui hoje, para fazer o caos no Brasil e para ficar cada vez mais refém desse governo esquerdista”, declarou.
O fecho da gravação foi um compromisso público de acompanhamento do caso, estendido também à direção da escola.
Nós não recuaremos. Então nós estaremos sempre atentos para proteger não apenas pais, alunos, como os administradores escolares que vêm sendo intimidados por essa turma da esquerda maldita. Contem comigo, deputado Alex Brasil.
Entenda o caso
A EEB Nossa Senhora da Conceição aderiu ao programa estadual de escolas cívico-militares após consulta à comunidade escolar. Em junho, a regional de São José do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte-SC) protocolou representação na 4ª Promotoria de Justiça do Ministério Público, classificando o processo como antidemocrático e defendendo que o lugar de policiais e militares é fora das escolas. Na ocasião, Alex Brasil já havia respondido ao sindicato em vídeo e pedido que o MP respeitasse a decisão dos pais e dos alunos.
O caso ganhou novo fôlego na sexta-feira (21), quando estudantes levaram um abaixo-assinado contrário ao modelo à unidade e denunciaram, em vídeo amplificado pelo sindicato, que teriam sido reunidos em um dos blocos e impedidos de sair. Dois professores da própria escola contestaram a versão e afirmaram que a unidade tem dois portões e que apenas um estava fechado, por rotina de recreio. O ato em frente à escola veio na sequência e terminou com a Polícia Militar separando os dois grupos na calçada.
Nas escolas cívico-militares, os militares não assumem sala de aula: a gestão pedagógica segue com a Secretaria de Estado da Educação e com os professores da unidade, e a atuação dos policiais se concentra em organização escolar, mediação de conflitos e disciplina. A representação do Sinte-SC segue no Ministério Público, e o modelo continua em funcionamento no Roçado.























