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“Einstein” é preso pela PMSC na Grande Florianópolis e desabafa: “eu só queria uma chance”

Roger May Pereira, de 35 anos, foi localizado pelo Batalhão de Polícia de Choque durante uma entrega de 15 quilos de drogas no bairro Pedregal. Ele estava foragido do sistema prisional e responde por latrocínio, roubo, receptação e resistência.

“Einstein” é preso pela PMSC na Grande Florianópolis e desabafa: “eu só queria uma chance”
Foto: Reprodução
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O homem que abriu a porta para os policiais do Batalhão de Polícia de Choque, no bairro Pedregal, em São José, ainda estava com a camiseta manchada do serviço. Antes de ser levado, ele levantou a barra da bermuda e mostrou o que tem tatuado na coxa: o rosto de Albert Einstein. É de onde vem o apelido pelo qual é conhecido na região.

Roger May Pereira, de 35 anos, foi preso por volta das 18h25 desta quinta-feira (20), na Rua Duque de Caxias, em São José, na Grande Florianópolis. Ele estava foragido do sistema prisional catarinense e tinha mandado de prisão em aberto.

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Segundo a Polícia Militar de Santa Catarina, ele foi descoberto durante uma entrega de 15 quilos de drogas. A equipe do Choque estava no endereço quando localizou o foragido e cumpriu o mandado no local.

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O que diz o mandado

O mandado de prisão reunia acusações de roubo em concurso de pessoas, latrocínio, receptação e resistência, previstas nos artigos 157, parágrafos 2º e 3º, 180 e 329 do Código Penal.

O desabafo diante dos policiais

Enquanto os policiais concluíam os procedimentos, ele pediu para falar. Começou se apresentando pelo apelido e emendou uma sequência de argumentos para tentar não ser preso. Disse que foi criado em orfanato e que entrou no crime para ajudar quem o havia acolhido.

Boa tarde, meu nome é Roger, meu apelido é Einstein, também conhecido como um menino maluquinho, né, menino sonhador. Desde pequeno eu fui criado orfanato, tudo, eu nunca quis estar fazendo as coisas que eu fiz.

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Ele afirmou que já cumpriu dez anos e meio de cadeia e que, nesse período, trabalhou dentro de unidades prisionais, incluindo o regime semiaberto de Palhoça. “Pode ver, o meu comportamento é exemplar. Eu sempre trabalhei”, disse aos policiais.

Foi nesse trecho da conversa que ele apontou para a própria perna e explicou a tatuagem. “Fez essa tatuagem minha, que é a do Albert Einstein. Tatuei de cabeça pra baixo, tudo. Eu tenho um dom que Deus me deu. Eu não precisava dessa vida”, afirmou.

A conta que não fechava

Na versão apresentada por ele, estava trabalhando como marceneiro, fazendo móveis sob medida, e a condição de foragido travava qualquer emprego formal. Disse que faltavam nove meses para quitar a pena e que, regularizado, conseguiria carteira assinada.

Só que eu estava passando uma dificuldade muito grande porque eu não estava conseguindo emprego, porque eu estava foragido. Se eu tivesse pagado tudo certinho, faltava nove meses.

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Na mesma fala, porém, ele contou que recebia entre R$ 400 e R$ 700 “pra só fazer uma liga”, termo que, na linguagem do tráfico, se refere a um corre de drogas. Em seguida, voltou a reclamar das contas em atraso: “tá difícil, o aluguel é quase dois mil reais e as pessoas não me pagam. Eu tenho quase mil e poucos reais, né, que os caras tão me devendo aí do meu serviço”.

Por que fugiu, segundo ele

Ele também deu a própria explicação para a fuga. Afirmou que pediu transferência de galeria antes de deixar o sistema prisional, alegando circulação de aparelhos celulares no local e dizendo que se sentia ameaçado. Sem a mudança, segundo ele, decidiu fugir e passou o período seguinte na rua. A versão não foi confirmada por nenhum órgão.

O pedido final

Antes de ser conduzido, ele pediu desculpas aos policiais e fez um apelo para não voltar ao presídio. Chegou a falar de um quadro que sonha em pintar, ao qual deu o nome de “o caminho da vida eterna”, e disse que precisaria apenas de tempo para terminar de pagar o que deve à Justiça.

Desculpa aí pelo meu transtorno que eu causei, vocês podiam estar fazendo outro serviço mais importante do que, né, tá me prendendo. Vocês sempre vão saber onde eu tô, se vocês me dão oportunidade pra me terminar de pagar meu serviço.

O apelo não mudou o desfecho. Roger May Pereira foi conduzido pelo Batalhão de Polícia de Choque e encaminhado ao Presídio Masculino de Florianópolis, onde permanece à disposição da Justiça.

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