A economista Daniella Marques foi a Florianópolis nesta quarta-feira (19) apresentar ao setor produtivo catarinense o plano econômico que coordena para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Perguntada pelo Jornal Razão sobre a frase que vem repetindo na pré-campanha, a de que Brasília está sequestrando o Brasil, ela respondeu com uma promessa e um número.
“Mudança drástica de controle de gastos”, disse. Segundo ela, o excesso de despesa da União produziu no país uma das maiores taxas de juro real do mundo e, para cobrir o rombo, a maior carga tributária do mundo. As duas afirmações são leituras da candidatura e não foram apresentadas com fonte durante a entrevista.
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6.341 empresas
O número que ela usou para sustentar o argumento tem lastro.
O resultado disso são mais de 6 mil empresas em recuperação judicial ou extrajudicial no Brasil só no primeiro semestre. Na pandemia não foram nem 2 mil, foi menos de 1.500.
Levantamento divulgado neste mês mostra que o país encerrou o primeiro semestre de 2026 com 6.341 empresas em recuperação judicial, alta de 6,2% sobre o segundo semestre de 2025 e de 21,2% no acumulado de doze meses.
A segunda estatística que ela citou também confere. “Mais de 80% das famílias sendo arrastadas em dívidas por causa dessa taxa de juros, não conseguindo pagar, se endividando para sobreviver”, disse. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio, apontou 82% de famílias endividadas em julho, sexto recorde consecutivo da série histórica. A taxa básica de juros está em 14% ao ano, após quatro cortes seguidos do Banco Central.
Daniella foi presidente da Caixa Econômica Federal entre julho de 2022 e janeiro de 2023 e integrou a equipe econômica do Ministério da Economia no governo Jair Bolsonaro. Hoje coordena o núcleo econômico da campanha e assinou a construção do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral em 13 de agosto.
Viagens, privilégios e ministérios
Ao detalhar onde pretende cortar, ela mirou três frentes. “Gastos com viagens, com privilégios, uma estrutura ministerial inchada, analógica e que não funciona”, enumerou. A proposta, segundo a economista, é aplicar um choque com fim de supersalários, redução da estrutura ministerial e corte do que classificou como excessos.
O objetivo declarado é encadear uma sequência: menos gasto, juro menor, menos despesa para o contribuinte. “Para que o Brasil volte a respirar e a gente tenha uma queda de taxa de juros e menos despesa para os pagadores de impostos e as famílias voltem a sonhar e a crescer”, afirmou.
O plano que ela coordena prevê corte de despesa equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto, revisão do arcabouço fiscal, criação de um Conselho Superior de Governança Fiscal e extinção de ao menos dez ministérios. Também prevê monetizar ativos da União, com securitização da dívida ativa, que ela estima entre R$ 200 bilhões e R$ 400 bilhões, e a criação de um fundo imobiliário com os mais de 700 mil imóveis federais.
Ao encerrar a resposta, a economista transformou o argumento em disputa eleitoral. “Felizmente a gente está próximo de uma eleição e os dois planos são muito claros. De que direção se acredita, se você quer continuar no modelo da gastança ou se a gente aponta o Brasil para o futuro e volta a ter capacidade de investimento no Brasil”, disse.
Por que ela veio a SC
Daniella foi trazida a Santa Catarina pelo deputado federal Daniel Freitas (PL), candidato à reeleição e um dos articuladores do partido no estado. Os dois trabalharam juntos em 2021, nas discussões da PEC Emergencial, que abriu espaço no Orçamento para o pagamento do auxílio emergencial durante a pandemia. Freitas foi relator da matéria.
O encontro com empresários catarinenses ocorreu na Beira-Mar Norte e reuniu representantes do setor produtivo. Flávio Bolsonaro chegou a declarar publicamente que gostaria de tê-la como vice, mas o Republicanos, partido ao qual ela é filiada, decidiu se manter neutro na eleição, e a chapa foi fechada com o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL).
A eleição está marcada para 4 de outubro. Pesquisa Quaest divulgada na semana passada aponta Lula com 43% e Flávio Bolsonaro com 40% em cenário de segundo turno.
































