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“Imagina despencar com meus filhos”: elevador de R$ 170 mil vira terror em mansão de Jurerê

Laudo assinado pelo engenheiro e perito Luiz Fernando Dambros aponta falha no sistema de freio do equipamento instalado em uma mansão de quatro andares em Jurerê Internacional e recomenda a interdição imediata. A família registrou boletim de ocorrência contra a TK Elevadores Brasil Ltda. e espera a abertura de inquérito.

Interior de cabine de elevador residencial, imagem ilustrativa
Imagem ilustrativa
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A porta fechou, a cabine subiu, e então veio o tranco. Depois o ruído metálico. Depois o silêncio, com gente presa lá dentro. Na mansão de quatro andares construída de frente para o mar de Jurerê Internacional, em Florianópolis, o elevador de R$ 170 mil que era para ser conforto virou pesadelo doméstico, e agora é caso de polícia.

A proprietária do imóvel, casada com um dos advogados mais conhecidos de Santa Catarina, registrou boletim de ocorrência contra a TK Elevadores Brasil Ltda. O documento também alcança os responsáveis técnicos pela execução e pela liberação do projeto. A expectativa da família é que o registro se transforme em inquérito policial.

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O equipamento foi comprado em 2025, com previsão contratual de entrega em condições de uso ainda naquele ano. Segundo a família, ficou meses parado. Quando finalmente foi liberado, começaram os travamentos. “Depois de tudo o que aconteceu, perdemos completamente a confiança. Não se trata apenas de um equipamento que deixou de funcionar. Estamos falando da segurança da minha família e de qualquer pessoa que entre na nossa casa”, diz a proprietária.

A palavra no visor

Entre trancos, ruídos metálicos, paradas no meio do percurso e retornos inesperados da cabine ao andar de origem, um detalhe fez o sangue gelar: o código FR piscando no visor interno. “Isso significa falha no freio”, destaca a reclamante.

A leitura foi confirmada por escrito. Um laudo técnico emitido no dia 18 pelo engenheiro de segurança do trabalho e perito Luiz Fernando Dambros, registrado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) e com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), identifica o erro como “falha de freio” e aponta que ele pode estar relacionado ao funcionamento das sapatas ou do freio mecânico do equipamento. Ou seja: um mecanismo essencial de segurança.

O teste com 200 quilos

Durante a perícia, o engenheiro acionou o elevador dezenas de vezes, com a cabine vazia e com carga simulada. Foram colocados entre 150 e 200 quilos dentro do equipamento para reproduzir o peso de várias pessoas juntas.

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O resultado foi uma cena de filme. O elevador entrou numa sequência sem fim de subidas e descidas, parando em todos os andares, sem nenhuma intervenção humana. Foi a partir dali que o perito advertiu para a possibilidade de acidentes graves e risco à vida dos usuários.

“Recomendo a interdição imediata do equipamento até a solução de todas estas falhas e problemas”, escreveu o engenheiro e perito Luiz Fernando Dambros no laudo.

Hoje o elevador está fora de uso na mansão.

Meses de promessa

A proprietária relata que ela, a filha e outras pessoas ficaram presas na cabine em ocasiões diferentes. Em julho, depois de uma sequência de atrasos e adiamentos, chegou a enviar mensagem à empresa pedindo a rescisão do contrato. A resposta, segundo ela, foi mais um pedido de prazo.

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“O atraso poderia até ser discutido e resolvido. O que não podemos aceitar é a liberação de um elevador que, logo depois, começou a travar com pessoas dentro e a apresentar falhas apontadas por um engenheiro como potencialmente graves”, afirma.

Do Procon para a delegacia

Antes do boletim de ocorrência, o caso passou pelo Procon de Florianópolis. Na semana passada, a consumidora e representantes da empresa participaram de audiência de conciliação. A pedido da companhia, ficou fixado mais um prazo para que o elevador estivesse em boas condições de uso.

Foi aí que a paciência acabou. A mulher relata que decidiu registrar a ocorrência “porque eles ultrapassaram todos os limites”. Ela afirma guardar mensagens, contrato, fotografias e vídeos das falhas, material que deverá ser entregue às autoridades para reconstituir em que condições o equipamento foi concluído e autorizado para uso.

O que o laudo pode virar

O documento técnico não atribui, sozinho, responsabilidade criminal à empresa ou aos profissionais citados. Mas serve como peça para comprovar a existência das falhas, a natureza do risco e o estado do elevador no momento da vistoria. Uma eventual responsabilização dependerá da investigação sobre quem executou, quem supervisionou e quem liberou o equipamento, e sobre quando cada um soube dos problemas e o que fez a respeito.

Na esfera civil e consumerista, a família avalia pedir a devolução do valor pago, indenização pelos prejuízos e reparação por danos morais, além das penalidades ligadas ao atraso e à suposta inadequação do produto entregue.

Enquanto não houver correção integral das falhas e nova certificação técnica de segurança, o elevador segue interditado por recomendação do perito. “Eu só quero segurança para minha família. Já estamos morando no imóvel, só falta resolver o elevador”, diz a proprietária. A história deve ter novos capítulos nas próximas semanas.

Procurada, a TK Elevadores Brasil Ltda. deverá apresentar sua versão sobre os fatos, informar as providências adotadas e esclarecer as circunstâncias da instalação e da liberação do equipamento. O espaço permanece aberto para manifestação da empresa e dos demais profissionais mencionados.

Imagem ilustrativa.

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