Um novo e decisivo desdobramento promete mudar os rumos da ação penal que apura o feminicídio de Débora Dambros, de 24 anos, em São Carlos, no Oeste de Santa Catarina. Em entrevista ao Jornal Razão, a advogada da família materna, Dra. Karen Rebelato, destacou que Helena Vitória Dambros, a filha de 8 anos da vítima, já foi ouvida formalmente em depoimento especial, fornecendo elementos considerados importantes para o andamento das investigações e a busca por justiça.
“O que podemos falar é que a Justiça com certeza vai ser feita. O depoimento da Helena foi extremamente importante e definiu muitas coisas que antes estavam em dúvida”, afirmou a Dra. Karen Rebelato.
Por se tratar de um procedimento altamente sensível envolvendo menor de idade, as declarações tramitam sob segredo de Justiça. No entanto, a expectativa da defesa é que o relato da criança elimine lacunas sobre a dinâmica dos fatos e consolide a responsabilização penal dos envolvidos.

O acolhimento dos filhos e o recomeço sob proteção
Enquanto o processo criminal avança, a prioridade absoluta da família materna é garantir estabilidade e proteção aos irmãos. As crianças, Helena e André Henrique Dambros, de 2 anos, já estão vivendo no lar da avó materna, Arminda Silva Melo, no município de Ipuaçu. A decisão judicial de urgência, acolhendo manifestação do Ministério Público, deferiu o acolhimento provisório e determinou o imediato afastamento do núcleo familiar paterno.
A ordem proíbe qualquer tipo de contato ou aproximação por parte dos investigados presos ou da avó paterna, exigindo autorização judicial e acompanhamento técnico para qualquer exceção. A Dra. Karen Rebelato descreveu o cenário em que os irmãos chegaram ao novo lar.
“Conseguimos a decisão do Ministério Público juntamente com o magistrado, que acolheu e deferiu com urgência o acolhimento provisório da Helena e do André aos cuidados da avó Arminda, realizando o afastamento imediato do convívio do núcleo familiar paterno. O juiz deixou esclarecida a vedação de qualquer contato dos genitores e investigados presos, bem como da avó paterna. As crianças vieram só mesmo com uma mochilinha e com a roupa no corpo, sem nenhuma documentação. Por isso, solicitamos a segunda via dos documentos, atualização das vacinas e a imediata matrícula escolar das crianças. Elas estão bem, felizes, acolhidas e protegidas.”
Relembre o caso: a farsa do acidente e a confissão
A medida de proteção aos órfãos ocorreu após a Polícia Civil desmantelar a versão de que Débora Dambros, de 24 anos, teria morrido em um acidente de trânsito.
Na tarde de 21 de julho, o veículo Fiat Doblò do casal foi localizado submerso no Rio Barra Grande, na SC-283, em São Carlos. O local estava sem proteção lateral devido a um sinistro anterior, a pista não apresentava buracos e não havia marcas de frenagem na pista.

O corpo de Débora foi encontrado fora do automóvel, nas margens do rio, sem sinais vitais. Como o veículo ficou em ponto de difícil acesso e chovia na região, a ocorrência foi registrada inicialmente como saída de pista seguida de queda.
Por volta das 19h30 do mesmo dia, o marido de Débora, Welton André Dambros, de 30 anos, compareceu ao local do resgate. Ele alegou aos policiais que o casal estava em processo de separação, sustentou que a jovem vinha misturando bebidas alcoólicas com medicamentos e afirmou que ela teria ameaçado se matar e tirar a vida dos filhos.

No mesmo dia, ele chegou a registrar um boletim de ocorrência por desaparecimento e fez publicações emocionais nas redes sociais, lamentando a perda do seu “bem mais precioso”.

A reviravolta: confissão de feminicídio e prisão
A farsa ruiu na manhã do dia 31 de julho. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos para residências ligadas ao suspeito, a Polícia Civil e a Polícia Científica utilizaram iluminação ultravioleta em busca de vestígios de sangue e apreenderam cadernos de anotações.
Pressionado pelas evidências, Welton confessou ter assassinado Débora por asfixia (mata-leão) dentro da casa do casal, em Xaxim, no dia 20 de julho, um dia antes de o carro ser localizado no rio. Os dois filhos pequenos estavam no imóvel no momento do crime.

Após o homicídio, o investigado contou com a ajuda do próprio pai, de 53 anos, para colocar o corpo no Fiat Doblò, dirigir até a ponte em São Carlos e atirar o veículo nas águas para simular um acidente. Ambos foram presos e indiciados por feminicídio e ocultação de cadáver. Conforme a polícia, o investigado demonstrou frieza no depoimento e revelou que pretendia tirar a própria vida e a dos filhos, plano que não executou.
Os próximos passos na Justiça e na assistência social
Com o resgate dos menores, a Dra. Karen Rebelato enfatiza que as ações legais prosseguem em ritmo acelerado para resguardar os direitos patrimoniais e de assistência às crianças:
“Já expedimos ofício para o CRAS de Ipuaçu e de Xaxim para prestarem todo o acompanhamento e realizarem os estudos sociais e psicológicos necessários. Pensando na parte financeira dos órfãos, já encaminhamos a solicitação do benefício de auxílio-reclusão perante o INSS e decidimos a pensão no processo de guarda. Além disso, vamos propor a ação de indenização por danos morais em decorrência do falecimento da Débora e requerer a abertura de inventário com arrolamento de bens para mapear tudo o que estava no nome dela e da empresa.”














