Um vídeo gravado dentro da EEB Nossa Senhora da Conceição, no bairro Roçado, em São José, na Grande Florianópolis, voltou a colocar em debate a implantação do modelo cívico-militar na rede estadual de Santa Catarina. Nas imagens, que circulam nas redes sociais, uma estudante afirma que alunos teriam sido impedidos de deixar o pátio da escola.
“Trancaram os alunos aqui dentro, porque a gente não pode se pronunciar sobre o sistema da nossa escola”, diz a estudante na gravação, enquanto mostra um grupo de colegas reunido junto ao portão.
A denúncia foi amplificada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da regional de São José. Em publicação nas redes sociais, a entidade afirmou que, “segundo informações, estudantes estão sendo fortemente reprimidos por se manifestar contra o modelo cívico-militar na unidade escolar”.
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Até o momento, porém, não há elementos públicos suficientes para afirmar que houve repressão de fato. O que existe são relatos divulgados por estudantes e por entidades contrárias ao programa, ainda sem confirmação independente.
Disputa antiga
A discussão em torno da escola não é nova. O Sinte-SC acionou o Ministério Público de Santa Catarina questionando a forma como ocorreu a adesão da unidade ao programa cívico-militar e alegando falta de debate com a comunidade escolar.
Por outro lado, o modelo cívico-militar também registra altos índices de aprovação em Santa Catarina, onde vem sendo ampliado pela rede estadual. Em escolas que adotaram o formato, levantamentos junto a pais e professores apontam avaliação amplamente positiva, e a procura por vagas nessas unidades costuma superar a oferta.
Defensores afirmam que o modelo melhora a disciplina, a segurança, a organização e o ambiente de aprendizagem, e lembram que o controle de entrada e saída de alunos durante o turno é prática comum em boa parte das escolas, adotada como medida de proteção. Já os críticos questionam os custos, os resultados pedagógicos e a presença de militares no ambiente escolar.
Peso político
O debate carrega ainda forte componente político. Sindicatos e movimentos de esquerda estão entre os principais opositores do programa, enquanto governos e parlamentares conservadores defendem a expansão do formato pelo país.
Independentemente do lado, a régua precisa ser a mesma para todos: nenhum aluno pode ser perseguido por se posicionar contra o modelo, assim como nenhum estudante deve ser pressionado por professores, sindicatos, militares ou grupos políticos a defender determinada posição.
A questão agora é esclarecer o que realmente aconteceu dentro da escola. O caso segue em apuração.































