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ESPECIAL

'O pior foi o estupro. Do câncer eu não tenho medo', conta moradora de Tijucas

Por Lorran Barentin e Bárbara Francis Tomasia
A face de uma alma sofrida e vitoriosa. Foto: Bárbara Francis Tomasia

SUPERAÇÃO. A história de Dica foi retratada pela sua neta, a fotógrafa Bárbara Tomasia

A força de Maria Ediana Machado, conhecida como Dica, é insuperável. Aos 67 anos, a moradora de Tijucas enfrenta um câncer e relata sua sofrida história de vida, inclusive sobre o estupro que sofreu na juventude.

Momentos de agonia começaram a partir dos 16 anos, quando um ser "humano" roubou sua essência inocente. Mãe de cinco filhos, Christiani Padilha Eduardo, Claudia Mara de Souza, Luciano Murilo de Souza, Franciane George Machado e Felipe Thider Machado, Maria é uma guerreira em solo tijucano.

Sua história não pode deixar de ser vista, pois é uma inspiração para todos que lutam contra esta doença, ou até familiares que passaram por isso com entes queridos. Só quem vivencia sabe que é uma situação muito dura.

Ela continua lutando, como guerreira que ela é, e todos que estão no seu convívio próximo, não entendem de onde surge tanta força de um ser humano.  Confira seu relato: 

Uma vida sofrida

"Já passei por cada uma que hoje eu penso: "meu deus, como eu saí dessa situação?". Sou muito sofrida, mas sobrevivi. Eu vivia pelo vício do cigarro, pelo vício do final de semana, de encher o caneco de chopp, cerveja. No fundo, eu não sabia o que fazer da vida. Eu não sabia que isso era o certo. Pelo meu trauma, pela minha dor. Eu era uma pessoa que tinha vontade de matar "meio mundo". Ninguém entendia porque eu era assim.

A sua fé em Deus nunca a abandonou. Foto: Bárbara Francis Tomasia

Com dezesseis anos eu fui estuprada. Eu era uma moça de sítio. Eu só tinha amor no coração. Meu Deus, eu não pensava em nada disso.

A minha mãe não soube sobre o estupro, eu fiquei travada por muito tempo, anos, fiquei 40 anos sem falar pra ninguém. Foi depois de eu ter feito retiro de renovação, de perdão, que eu comecei a falar com as minhas irmãs, e graças a deus que eu consegui falar dessa coisa que aconteceu comigo, porque foi horrível, só quem passa sabe, isso que acontece com a gente é muito triste.

Uma pessoa com um trauma desse, com ódio no coração, só atrai coisa errada. Trabalhava demais pra sustentar meus filhos, porque o homem que eu casei era um mandrião que não trabalhava. Tive meus filhos que eu amo demais. Foram meu suporte de vida, que fizeram eu aguentar mais uma batalha."

Um filho mais do que especial

Dica com Felipe, seu filho do peito. Foto: Bárbara Francis Tomasia

"O meu Felipe é especial, ele veio pra mudar tudo. Mudou meu coração e a minha mente. Eu comecei a me transformar numa pessoa melhor, porque ele passou isso pra mim, ele é uma criança especial, ele só tem amor, ele é o amor. Os outros meus filhos são maravilhosos, mas ele é especial, é diferente o que a gente sente.

Além da síndrome de down, o Felipe era uma criança muito doente. Eu fiquei um mês dentro do hospital infantil com ele, sentada numa cadeira, sem dormir, porque ele tinha uma respiração muito ruim e corria risco de parar de respirar, eu tinha muito medo dele morrer. Mas conseguimos salvar ele e graças a Deus hoje é saudável e muito feliz."

A luta contra o câncer

"Em 2015 eu descobri um câncer maligno no colo do útero. Mas nunca tive medo do câncer. Minha vontade era fazer cirurgia para tirar tudo que não prestava de dentro de mim. Pra mim seria uma limpeza. A médica me deu 49 radio e quimioterapias. Eu resolvi procurar outro médico. Este outro médico me deu o mesmo tanto de procedimentos. Fiquei lá pedindo à Deus: "Senhor, eu não quero fazer. Pra eu ter certeza que não é pra fazer, o senhor me dá um aviso, por favor?".

Não demorou cinco minutos, aparece uma senhora numa cadeira de rodas vomitando, passando mal e eu disse: "Obrigado meu Deus". Foi o sinal. Fui embora. Não fiz químio e não fiz rádio. O câncer afetou minha uretra, bexiga, meus rins. Hoje faço hemodiálise e não tenho os dois rins.

A vida não é só a corpo, não é o aqui nesse mundo, a gente tem que salvar a alma. Eu já sou um milagre, uma pessoa que sobrevive há cinco anos sem fazer nada, sem tratamento, tem pessoas que nem acreditam que estou viva, mas eu estou em pé.

O pior da minha vida foi o estupro. Do câncer eu não tenho medo. Não tenho medo da morte. Só sinto pena de deixar meus netinhos, meus filhos, mas não que eu tenho medo."

Um sonho

"Queria ter uma casa enorme no campo. Seria a maior felicidade da minha vida. Ver meus netinhos brincar. Ai que delícia. Esse é meu sonho. Sonhar não paga nada, então deixa eu sonhar. Talvez, quem sabe, um dos filhos meus terá uma casa assim e eu possa realizar meu sonho."



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