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Sexta, 06 de dezembro

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EDUCAÇÃO

TIJUCAS: Aluno acusa escola de homofobia

Há algumas semanas recebemos em nossa redação um estudante da escola Cruz e Sousa, pedindo ajuda contra supostas posturas homofóbicas por parte de diretores do educandário. Nos últimos dias o jovem voltou, desta vez mais deprimido e disposto a revelar tudo o que vem acontecendo com ele. Seu nome é Adenilson, de 16 anos.

Na primeira vez em que ele nos procurou conseguimos conciliar a situação através de contato com os dirigentes da escola. Desta vez, entretanto, a situação foi mais séria. A suposta vítima registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de Tijucas e insistiu para que o ajudássemos.

No boletim de ocorrência, Adenilson relatou ter sido humilhado publicamente e vítima de homofobia por parte da orientadora educacional e da diretora da escola. Ele ainda diz que a situação acontece desde o início do ano, prejudicando seu desempenho escolar e causando transtornos psicológicos. Os fatos foram comunicados à Secretaria de Estado da Educação para providências cabíveis.

A versão da escola

Adenilson procurou o Jornal Razão na última quarta-feira. Desde então nossa redação manteve contato com a diretoria do Cruz e Sousa, tendo em vista que as acusações podem denegrir e manchar a imagem do maior colégio do Vale do Rio Tijucas, onde estudam mais de 1.300 alunos.

Como a diretora estava afastada nos últimos dias por motivo de doença, aguardamos o seu retorno. Nesta segunda-feira conversamos com a direção da escola, que deu sua versão dos fatos.

Segundo a diretora Sandra Regina Pereira, não existe homofobia por parte da escola. "Tratamos todos com igualdade e respeito, inclusive na última semana promovemos palestras sobre bullyng. Fazemos de tudo para que pregar o respeito às diferenças". Dona Sandra, como é carinhosamente conhecida, ainda afirmou que apenas pede respeito às normas da escola. "O Projeto Político Pedagógico proíbe namoro dentro do colégio", relatou.

Ela acredita que por impedir que Adenilson tenha contato com seu namorado dentro da escola, o jovem, de forma equivocada, pense se tratar de homofobia.

A versão do aluno

Adenilson diz que está sendo perseguido. "Venho à escola para estudar, porém estou sendo vítima de homofobia. Não deixam meu namorado trazer as chaves de casa e impedem que ele entre na escola, mesmo com o juiz tendo assinado uma documento lhe tornando meu responsável legal. Quando reclamo ameaçam de dar advertência, me expulsarem da escola ou até mesmo fazer boletim de ocorrência contra mim", relatou.

Questionamos o porquê de ser necessário que seu namorado leve a chave na escola e sugerimos que fosse feita uma cópia. Adenilson respondeu que a proprietária do imóvel não permite que seja feito.

"Ela diz que uma chave é suficiente e que se fizermos cópia seremos expulsos da casa. Meu namorado vem me trazer a chave, pois sai para trabalhar às 17h e volta apenas às 02h da madrugada, sendo que minha aula acaba 17h25. Eles não querem nem que ele passe na frente da escola. Me chamam de bebezinho, dizem que não tenho necessidade de uma pessoa vir me trazer chave na escola, sendo que sou menor de idade, não tenho outra maneira de entrar em casa. Como eu reclamo, estão me ameaçando direto", disse. 

Sobre o boletim de ocorrência, o jovem declarou: "Fiz um boletim de ocorrência contra eles, pois estou sendo humilhado publicamente, em frente a todos os alunos da escola. Eles me chamam de burro, imaturo, dizem que meu lugar não é na escola, que deveria estar em algum outro lugar, pois o Cruz e Sousa não é pra mim. Os alunos me incentivaram a procurar meus direitos", contou. 

Adenilson ainda diz que os alunos são prejudicados diariamente com a falta de professores: "Tem professores que faltam aula todos os dias, às vezes temos apenas uma aula, e depois os alunos são liberados. Eles acham ruim que os alunos fiquem na frente da escola esperando ônibus e ameaçam chamar o conselho tutelar", afirmou.

Quanto à homofobia, Adenilson diz que existe, pois outros casais "se beijam em frente aos professores, fazem declarações de amor, entregam buquês e ninguém reclama. Se eu abraço meu namorado do lado de fora do colégio, imediatamente mandam ele embora".

O aluno ainda faz acusações graves. Ele afirma que alguns alunos têm relações sexuais dentro dos banheiros da escola e que esporadicamente acontece tráfico de drogas dentro dos muros do educandário. "A escola não tá nem ai pra isso. Só porque meu namorado vem trazer a chave de casa na escola eles não deixam entrar do portão pra dentro e me ameaçam", desabafou.

Como o caso foi registrado na Delegacia de Polícia Civil, cabe aos delegados da comarca decidir abrir inquérito para apurar as circunstâncias, desvendar se houve algum crime e se existem culpados. Como o Cruz e Sousa é de responsabilidade do Governo de Santa Catarina, a mãe e o estudante notificaram a Secretaria Estadual de Educação.

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