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Sexta, 22 de novembro

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HISTÓRIA

A história da extração do Quartzo Rosa no Vale do Rio Tijucas

Lorran François Barentin/JR
Foto: Lorran Barentin / JR
Exemplar trazido do Alto Vale para Tijucas há cerca de um século

O coronel João Bayer Sênior era um grande empreendedor, mas não gostava de apostar todas as fichas num único negócio. Comerciante, financiava diferentes lavouras nos povoados de todo o Vale, Porto Belo e até da antiga Santo Antônio da Tapera, hoje conhecida nacionalmente como Itapema. Assim ele tinha a garantia do fornecimento de café, farinha de mandioca, açúcar, arroz, banana, banha de porco, defumados, madeira, cereais e vários outros produtos que sua frota de veleiros transportava para clientes de portos como Paranaguá, Santos e Rio de Janeiro. Era conhecido em todo território barriga verde, tanto que na sua morte, em 1936, o jornal O Estado trouxe como matéria de capa o falecimento do "patriarca do maior império econômico de Santa Catarina".

Essa história todo mundo já ouviu um pouco, porém existe uma fase da vida do coronel João Bayer que a grande maioria da população regional nunca ouviu falar: o período da extração do "quartzo rosa" numa jazida do "Alto Pitanga", no interior de Nova Trento. Era uma atividade que rendia bons lucros e ainda servia para fazer lastro no fundo das suas embarcações quando transportavam mercadorias leves.

Edson Bayer com um pequeno exemplar do quartzo rosa extraído em Nova Trento

O caminho das pedras

Não há estudos disponíveis ao público sobre a extensão do veio de quartzo rosa de Nova Trento, porém os mais antigos afirmavam que se estendia até muitos quintais da cidade de Brusque e que dali haveria uma artéria que chegava ao litoral pela região de Navegantes. Entretanto, as pedras com a cor de rosa mais forte eram encontradas nessa mina do Alto Pitanga, a qual ao término das atividades de extração muitos anos após a morte do coronel Joao Bayer, acabou sendo interditada por órgãos ambientais. Comenta-se que os atuais proprietários nunca se interessaram pela exploração desse quartzo, mesmo com um atraente preço de mercado.

O coronel João Bayer tinha trabalhadores que extraiam o cristal em escala comercial. De Nova Trento a Tijucas as pedras eram transportadas em carroções de rodas muito fortes e resistentes, puxados por seis mulas. A velha estrada, que atravessava o interior neotrentino, São Luiz, Rio do Braço, centro do vilarejo de São João Batista, Ribanceiras do Norte, Índia, Canelinha e Nova Descoberta, era íngreme e dificultava ainda mais a vinda das pesadas cargas.

Lorran Barentin / JR - Roda de um dos carroções que traziam o quartzo de Nova Trento para Tijucas

Em Tijucas o quartzo Rosa era depositado na beira rio ou seguia até Porto Belo pelo mesmo meio de transporte. O quartzo que ficava em Tijucas depois era levado pelas barcaças até o largo do "Arraial de Ganchos", atual Governador Celso Ramos, para serem colocadas no fundo de veleiros da frota que chegou a ter 28 embarcações. As pedras eram depositadas na parte mais funda dos barcos, ao longo da área onde passa por baixo a quilha, formando assim um lastro que ajudava os veleiros a baixarem o calado durante o transporte de cargas leves, como farinha de mandioca, arroz, açúcar e café. Sem o lastro eles bamboleavam muito durante a viagem.

Do Vale para o mundo

A extração, transporte e comércio do quartzo rosa era possível pela existência de um cliente fixo no Rio de Janeiro. Ele comprava todo o minério que chegava de Tijucas. O bisneto do coronel João Bayer, o historiador e pesquisador Edson Carvalho Bayer, que possui vários exemplares desse quartzo em sua propriedade, revela que esse cliente comprava pedras de diferentes lugares do Brasil, formava elevados montes dessa rocha no porto da então Capital Federal e embarcava cargas em navios a vapor para o porto de Hamburgo, antigo Reino da Prússia, atual Alemanha.

Convés do veleiro Elizabeth, pertencente a frota da sempre lembrada Marinha Mercante tijuquense

"Em Hamburgo havia muitos e diferentes moinhos para o beneficiamento de diversos produtos, inclusive para o minério. Lá o quartzo era moído, peneirado até se transformar em pó e depois de ensacado era fornecido para algumas cidades da própria Alemanha, países da Europa, Japão e China, servindo como matéria prima das famosas porcelanas que famílias mais abastadas ostentam com muito orgulho, sem saber que foram fabricadas com o quartzo do Vale do Rio Tijucas", relata Edson Bayer.

Vibrando amor e harmonia

Dizem que o quartzo rosa é a pedra do amor e da paz, que possibilita a cura interior e a purificação do corpo emocional através da ativação do coração. Ele repele as energias negativas e potencializa as vibrações do amor, possibilita harmonia e paz em relacionamentos estabelecidos e ao ambiente familiar.

Essa pedra, usada em bijuterias ou joias, seria capaz de resolver problemas emocionais e de criar um forte campo de acesso ao amor incondicional. A lenda diz que essa pedra é símbolo do signo de Touro.

O quartzo rosa tem diferentes preços no mercado, variando de R$ 200,00 a R$ 800,00 o quilo. Alguns colecionadores apreciam os cristais quase transparentes (diz-se quase porque a sua transparência nunca é total), que no mercado atingem preços elevados.

Extraído também nos Estados Unidos e Japão, o quartzo rosa é a variedade mais valiosa dos quartzos translúcidos. Os exemplares mais espetaculares vêm de Madagáscar, aí encontram-se os melhores exemplares, incluindo os cristais quase transparentes. Contudo, a produção do Brasil é mais abundante.

Âncora de ferro forjado por ferreiros na época em que ainda não havia soldas

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