nas-redes.png

EDIÇÃO IMPRESSA

Sexta, 9 de novembro

Capa
Capa

EDIÇÃO IMPRESSA


PEDALA NARBAL 5

A saga de Sepe Tiaraju

31 Outubro 2018 16:24:00

HISTÓRIA. Ainda hoje os gaúchos cultuam a memória do lendário líder guarani

A noite caiu rapidamente. Na escuridão das missões riograndenses apenas os clarões e os estampidos das rajadas vindas dos soldados mercenários hispano-portugueses contra os quase indefesos guaranis, na sua grande maioria empunhando apenas arcos, flechas e lanças. 

A luta era injusta, mas havia um guerreiro, um em especial que nunca desistia. As balas relutavam em acertá-lo. Seu nome Sepe Tiaraju, o maior dos guerreiros guaranis no período das Missões Jesuíticas. A fuga durante as batalhas eram inevitáveis e no breu da noite Sepe reluzia, conduzindo seus irmãos pelas vastas campinas, salvando-os da morte certa. Esta é uma das muitas histórias envolvendo Sepe.

Mito ou lenda, pouco importa. O fato é que se o Cacique Floriano, um dos primeiros a cruzar a divisa da Argentina e adentrar nos Sete Povos das Missões Jesuíticas Brasileiras, exigindo suas terras, no início da década de 90, tivesse Sepe ao seu lado, a história poderia ser diferente. Floriano encontra-se hoje em Santo Ângelo, a antiga capital dos Sete Povos, lutando por um pedaço de terra para os seus. Conseguira isto em São Miguel das Missões, trazendo seu povo, seguindo sua saga para tomar de volta o que lhe é de direito. Se em Santo Ângelo, o Anjo Santo pudesse abrir um pouco mais suas asas, com certeza protegeria as crianças guaranis que, defronte a imponente catedral, refeita sobre os escombros da antiga, buscam alguns trocados junto com seus pais, vendendo ricas peças artesanais.

Talvez, se estivessem vivos, os padres jesuítas não gostariam disso, lembrando severamente que os doces e livres guaranis deveriam voltar as suas atividades cotidianas dentro das antigas reduções. Lembrariam também que deveriam rezar e orar para um Deus que não era seu. Escravidão psicológica a parte, a realidade é que hoje o poder público, de maneira geral, pouco faz pelos pobres guaranis, e também pelo turismo, que vem decaindo ao longo dos anos.

Patrimônio turístico

Com exceção das famosas ruinas de São Miguel das Missões, tombadas como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), as outras cidades pertencentes aos Sete Povos das Missões sofrem com um turismo incipiente, se considerarmos o tamanho do potencial histórico encontrado em toda área. Uma tentativa de reverter esta realidade está sendo conduzida pela Fundação dos Municípios das Missões (FUNMISSÕES), porém deva faltar um pouco da galhardia aos líderes atuais.

A galhardia a qual nos referimos, no sentido de destemor e valentia, sobrava ao líder revolucionário Carlos Prestes. Foi em Santo Ângelo que começou o levante de sua coluna, que percorreu boa parte do Brasil, lutando por uma sociedade mais justa e igualitária. Definitivamente, hoje fazem falta Sepes, Prestes, Florianos....

Gratidão

Agradecimento todo especial a Dona Chica e ao senhor Irineu Milbrath por ter nos hospedado carinhosamente no Turis Hotel, bem no centro de Santo Ângelo, e os cumprimentos por ter sido um visionário e percursor do turismo em toda região. Carinho todo especial também à nora do casal, Tatiana Milbrath, presidenta da Associação de Guias Turísticos na Região dos Setes Povos. Ela nos guiou pessoalmente não só pelos sítios arqueológicos, mas também pela rica história da passagem dos missioneiros por estas terras que também foram de chimangos e maragatos.



As mais lidas do dia

jr.png

| | insta |

Quem somos | Mapa do site | Webmail | Painel de controle

Copyright © 2017 Jornal Razão - Tijucas SC
Todos os direitos reservados.


Whatsapp
(48) 8453-0809

 

Quem somos | Mapa do site | Webmail | Painel de controle

 

Copyright © 2017 Jornal Razão - Tijucas SC
Todos os direitos reservados.