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Sexta, 19 de abril

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ARGENTINA

Imprensa com alma pioneirista

11 Março 2019 11:43:00

A saga de mais uma missão jesuítica

Chegamos a Loreto, no Noroeste argentino. A pequena cidade de pouco mais de 2000 habitantes, definitivamente, a princípio não atraiu a nossa atenção. Primeiro pelo seu tamanho, e depois pelas parcas ruinas do sítio arqueológico.

Na chegada ao local o desânimo persistiu. Nada de carros no estacionamento e praticamente todos os funcionários em uma roda de mate, também não muito animada. Na verdade a roda de mate e a quase ausência de turistas no sítio refletiam uma dura realidade enfrentada pelos nossos hermano fronteiriço: a crise financeira. Impossível passar desapercebida aos nossos olhos e, principalmente, à nossa alma. E difícil viajar, mesmo que trabalhando bastante, por um pais em crise. A tristeza, num misto de revolta e inconformação, atingiu em cheio os argentinos e, consequentemente, nós brasileiros. Detalhes financeiros a parte, vindos de tão longe, partimos para a luta.

Assessorados pelos guias locais, descobrimos que a Missão de Nossa Senhora de Loreto constituiu a primeira imprensa da América Latina. Inicialmente o papel utilizado vinha diretamente da Europa. As escassas ruinas dos dias atuais não refletem em nada o que foi a Missão de Loreto no passado.

A influência política

A Missão de Nossa Senhora de Loreto chegou a abrigar mais de 6000 guaranis, comandados e organizados por poucos jesuítas. O fato é que a política já se fazia forte e presente na época em que foi fundada a redução, por volta de 1610. Os poucos padres, não mais que uma meia dúzia, trabalhavam diretamente com os inúmeros caciques, que por sua vez, coordenavam e passavam as informações para os demais indígenas.

Todas as grandes e importantes decisões aconteciam em uma espécie de assembleia, denominada Cabildo. E falando em política, os jesuítas, juntamente com os guaranis (ou seriam os 6000 guaranis juntos com os poucos jesuítas?) dariam grandes lições, de governabilidade com responsabilidade, e acima de tudo, ações voltadas a sustentabilidade para a sociedade moderna. Já naquela época os resíduos das latrinas e das "duchas" eram perfeitamente canalizados, e conduzidos para regarem e abastecerem a grande horta, que ajudava a alimentar toda a missão. Nada se perdia, ou tão pouco era desviado ao longo do caminho, a exemplo de muitos projetos públicos mal executados e pessimamente geridos, que literalmente fazem escoar pelo ralo o suado dinheiro da grande maioria dos contribuintes.

Por fim, descobrimos, o porque da ausência de ruinas, em um local que fora pujante e que havia abrigado uma grande e exitosa sociedade utópica jesuítico-guarani. Após o canetão dado pelos reis da Espanha e Portugal, em 1750, as missões terminaram depois de inúmeras guerras. As pedras, lavradas e talhadas com tanto suor, lágrimas e trabalho, pararam na mão de mercadores, virando paredes por exemplo, das vivendas dos mais abastados. Será que essa triste realidade nos faz lembrar alguma coisa?

Pensem nisto!

Próxima parada 

Continuaremos nossa peregrinação pela Argentina, visitando as lindas Missões Jesuíticas de Santa Ana, e o famoso Parque Nacional de La Cruz, com vistas expendidas, e muita natureza preservada.

Acompanhe-nos pelo site do Jornal Razão, e também pelo www.pedalanarbal.com.br. Hasta luego, e como diz o jargão "estamos de olho!".


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