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nada a perder

06 Abril 2018 00:00:00

não poderia receber título mais apropriado a cinebiografia do bispo Edir Macedo: 'Nada a perder'. a primeira parte da trilogia chegou aos cinemas brasileiros no dia 29 de março. a continuação deve estrear em 2019, e a parte final ainda não tem data prevista. imagino que você, caro leitor ou cara leitora, poderá perguntar: 'e daí? que diabos (perdão pelo infame trocadilho) a gente tem a ver com isso?'

o fenômeno 

acontece que estamos falando de um fenômeno religioso de grandes proporções. fundada por Edir Macedo em 1977, a Igreja Universal do Reino de Deus experimentou um crescimento avassalador durante a década de 1990, após a compra da TV Record, em 1989.

a IURD é hoje um dos maiores grupos neopentecostais brasileiros. de acordo com o IBGE, a igreja possui mais de seis mil templos, 12 mil pastores e 1,8 milhão de fiéis em todo o Brasil. no exterior, números da própria Universal Church indicam a existência cerca de 8 milhões de seguidores e 15 mil pastores em 105 países.

números celestiais

números celestiais também marcam a estreia de "Nada a perder". mesmo antes da chegada às salas de cinemas, já havia sido divulgada a informação de que 4 milhões de ingressos haviam sido vendidos. oh, glória!

diante de cifras tão impressionantes, não faltam possíveis explicações para o milagre da multiplicação dos ingressos. a primeira - óbvio! - é a intensa fé dos seguidores da Igreja.

falso testemunho?

a outra hipótese, mais polêmica, já circula por vários recantos da internet. dizem as heréticas línguas que as entradas para o filme teriam sido compradas pela própria Igreja Universal do Reino de Deus e distribuídas gratuitamente. sem querer levantar falso testemunho, é oportuno lembrar que o mesmo já teria ocorrido com "Os Dez Mandamentos", produção anterior do mesmo grupo religioso, que jura - com a mão sobre a Bíblia - não ser verdadeira a acusação. 

milagre!

contudo, não são poucos os relatos, em redes sociais, de pessoas que receberam a oferta gratuita de ingressos para assistir à produção que conta a saga do bispo.

isto explica facilmente outro fenômeno, de características quase bíblicas. circulam pela imprensa, país afora, informações de que a Igreja estaria fechando salas de cinema. e embora alegasse lotação máxima, as referidas salas de projeção estariam vazias. tão vazias, perdoem-me a blasfêmia, quanto o santo sepulcro após a ressurreição. 

de Lutero aos televangelistas

a Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero no século XVI, pôde se beneficiar do desenvolvimento da máquina de imprimir de Johannes Gutenberg, ocorrido um século antes. tanto é que exemplares da Bíblia de Gutenberg encontram-se nos acervos de museus em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. da mesma forma, ao longo das idades moderna e contemporânea, o Protestantismo e todos os seus derivados - além de praticamente todas as outras religiões existentes - utilizam os meios de comunicação para a propagação de sua mensagem. um exemplo clássico é o televangelismo estadunidense, que depois chegou a outros países, como o próprio Brasil.

ide e pregai

como é possível ler em Marcos 16:15, "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" - sem deixar de aproveitar, é claro, os milagres do desenvolvimento tecnológico das mais variadas mídias. o modus operandi de Edir Macedo e seus discípulos, portanto, é somente mais um capítulo - ou melhor, versículo - nessa história.

Juízo Final

com direção de Alexandre Avancini e trazendo Petrônio Gontijo no papel de Edir Macedo, "Nada a perder" tem tudo para ser um filme interessante. afinal, mesmo produzido pela própria IURD, coloca em discussão um dos mais controvertidos líderes religiosos do país. e o faz justamente no momento em que, devido aos sucessivos atentados contra a laicidade do Estado, parecemos caminhar a passos largos para a implantação, mesmo que informal, de uma teocracia.

creia ou não em Deus, goste ou não do bispo, cabe ao público assistir, analisar e, com total liberdade de consciência, elaborar, em relação ao filme e ao próprio bispo, o seu Juízo Final.


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