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boa nova

07 Maio 2018 14:59:00

'se em nome de Cristo eles destroem, em nome de Cristo vamos reconstruir'. estas palavras são da pastora luterana Lusmarina Campos. ela faz parte de um grupo de evangélicos que trabalha na reconstrução do terreiro de Candomblé de Conceição d'Lissá, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense (RJ).

repercussão 

a notícia ganhou destaque em nível nacional e foi amplamente reproduzida em redes sociais país afora. não é para menos. em um país marcadamente intolerante com a sua própria diversidade, exemplos de boas relações, bom tratamento e atitudes positivas com o outro - o oposto, aquele que é marcadamente diferente - devem mesmo ser louvados.

violenta e autoritária 

uma das mais brilhantes pensadoras do Brasil atual, a filósofa Marilena Chauí descreve a sociedade brasileira como violenta e autoritária. nossa dificuldade de conviver com a diversidade que pulsa neste país é imensa. 

país com dimensões continentais e que abriga uma pluralidade de componentes étnicos e culturais, o Brasil é difícil de entender. um grande enigma social ainda a ser decifrado. uma série de pensadores - os chamados "intérpretes do Brasil" -, principalmente a partir do século XX, têm procurado explicar o funcionamento de nossa sociedade e a dinâmica que marca as suas relações.

nossa maior riqueza

teorias e hipóteses à parte, não é difícil compreender que uma das nossas maiores riquezas, talvez a maior, reside justamente na pluralidade de nossas culturas. algo que deveria nos fortalecer enquanto sociedade, infelizmente, tem sido motivo para ocorrências lamentáveis, que apenas demonstram o tamanho da truculência e da ignorância que marcam a nossa vida social.

ignorância

sim, ignorância. afinal, agredimos, hostilizamos e demonizamos aquilo que tememos. e este temor resulta exatamente do desconhecimento. quando não dispomos de informações exatas a respeito de determinada etnia, cultura ou até mesmo grupo político, social ou religioso, acabamos criando ou perpetuando estereótipos, preconceitos e outras atitudes discriminatórias.

termos e expressões 

é o que acontece, de maneira recorrente, em relação às religiões. é gritante nossa falta de educação e de conhecimento acerca das diferentes denominações que compõem o campo religioso brasileiro. isso fica evidente, por exemplo, no uso de termos expressões como "macumba", "crentes", "coisa do diabo" e et cetera.

no calendário

para quem ignora o assunto ou nega a situação, é importante ressaltar que o Brasil possui, inclusive, um Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. ora, se a data está no calendário é porque o problema existe. simples assim. 

combate à intolerância

o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi instituído em 2007. a data, 21 de janeiro, é uma alusão ao falecimento de Mãe Gilda, ialorixá do terreiro de Candomblé Axé Abassá de Ogum. a líder religiosa foi caluniada e teve seu nome e sua imagem expostos de maneira pejorativa no jornal Folha Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus.

em consequência da matéria publicada e seu teor extremamente ofensivo, Mãe Gilda foi agredida e teve sua residência invadida e seu templo religioso depredado. em decorrência dos ataques, ela morreu por causa de um infarto, no ano 2000.

mito

no Brasil, a intolerância religiosa é considerada crime e deve ser denunciada pelo Disque 100. dados de 2017 indicam que uma denúncia é realizada a cada 15 horas. um número muito alto e que também reforça a constatação de que o brasileiro "cordial" e "pacífico" não passa de um mito. de maneira geral, somos um povo mimado, autoritário, não estamos acostumados a conviver com opiniões contrárias. quando tudo está de acordo com o nosso pensamento, é uma maravilha. mas basta aparecer uma discordância que o tempo fecha. e isso acontece principalmente quando são discutidos assuntos polêmicos.

um mundo melhor

a intolerância deve ser, sim, denunciada. mas, mais do que isso, a tolerância, a compreensão e a valorização do outro devem ser estimuladas. atitudes como esta, dos evangélicos do Rio de Janeiro, devem ser valorizadas e amplamente divulgadas. e que sirvam de exemplo e de ponto de partida para a construção de uma sociedade e de um mundo melhor.


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