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a minha, a sua, a nossa cultura

13 Abril 2018 18:11:00

muito se fala e se discute a respeito de cultura. inclusive, e normalmente de maneira crítica - o que, convenhamos, não deixa de ser bastante saudável -, sobre a nossa formação cultural. não é raro aparecer alguém e disparar, à queima-roupa: 'funk não é cultura!', 'novela não é cultura!', 'música sertaneja não é cultura!', e por aí vai... mas, alto lá!, por acaso já paramos para pensar a respeito daquilo que entendemos por cultura?

mas, afinal, o que é cultura?

quando pronunciamos a palavra cultura, falamos tanto da formação do espírito humano quanto de toda a personalidade do homem: gosto, sensibilidade e inteligência. ao mesmo tempo, cultura também significa o tesouro coletivo de saberes construído pela humanidade ou por certas civilizações: a cultura egípcia, a cultura grega, a cultura oriental etc.

natureza x cultura

além disso, a cultura também pode ser vista como algo que está em oposição à natureza: a capacidade de adaptação, que vem garantindo a sobrevivência da espécie humana ao longo das eras, permite ao homem modificar o meio ambiente onde está inserido. 

todas as conquistas da civilização humana são realizadas com sucessivas agressões ao nosso espaço natural e às espécies que nele estão abrigadas. dos processos de colonização e conquistas territoriais à edificação de obras que melhoram o acesso a locais mais afastados, incluindo também o contato com povos até então desconhecidos.

o simbólico

podemos, ainda, entender a cultura como a capacidade de produzir símbolos. a própria comunicação humana - seja por palavras, imagens, gestos ou sons - só possui significados quando são seus elementos são associados a outros. por exemplo, uma palavra, ao ser pronunciada, só é compreendida por aqueles que conseguem relacioná-la a outra, dando a ela um sentido.

é ou não é?

e é justamente essa produção simbólica que provoca grandes discussões. retomando a pergunta inicial - "isto ou aquilo é cultura?" -, acabamos fazendo uma classificação das diferentes produções culturais. em diálogos, inclusive, algumas pessoas chegam a questionar se determinados grupos ou indivíduos têm (ou não) cultura.

erudição

ao avaliar se determinada pessoa tem ou não cultura, é comum tomar como parâmetro a sua escolaridade ou o volume de conhecimentos adquiridos com a leitura de livros. a pessoa culta, portanto, é idealizada como aquela que domina os conteúdos considerados válidos pelos sistemas educacionais. 

esta concepção de cultura, superficial e desprovida de senso crítico, está relacionada à erudição: domínio de conhecimentos formais a respeito do mundo. tais conhecimentos estão presentes nos saberes considerados científicos e nas artes consideradas nobres. a cultura erudita é considera dominante, ligada às elites e produzida por intelectuais, pensadores, cientistas e "grandes artistas".

cultura popular

no outro extremo, temos a cultura chamada de popular. são os hábitos, costumes, comportamentos, ofícios, religiosidade e manifestações artísticas das classes menos privilegiadas da sociedade. são práticas de origem tradicional, que contribuem para a formação e para a expressão da identidade de um povo. saberes que passam de geração a geração e mexem com o imaginário das pessoas. é a poesia que emana das ruas, a oração sussurrada pela benzedeira, o ritmo do repente, a entonação e a pronúncia que tornam singulares as falas regionais.

tempos pós-modernos

as mudanças sociais, políticas e comportamentais ocorridas ao longo do século XX, principalmente em suas últimas décadas, também causaram impactos na percepção que temos de cultura. com a intensificação dos contatos e a fusão de diversos elementos populares e eruditos, a divisão entre cultura elitizada e cultura do povo perde muito do seu sentido. 

sem fronteiras

atualmente, são muito sutis - quando inexistentes - as fronteiras. em tempos pós-modernos, já não nos perguntamos de que lado determinado indivíduo ou grupo está. o que existe, agora, é o reconhecimento de que todos têm a sua cultura e a sua identidade, que devem receber o devido respeito e o devido valor.


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